segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Ensine música a uma criança e acelere seu desenvolvimento cerebral



Música, a língua universal do humor, da emoção e do desejo, se conecta com a gente através de uma ampla variedade de sistemas neurais.

Já se sabe, por meio de estudos sobre tratamentos e seus resultados, que ouvir e tocar música é um ótimo tratamento para problemas de saúde mental. Quatrocentos trabalhos científicos publicados têm provado o velho ditado de que "música é medicina." Na verdade, pesquisas demonstram que a adição de musicoterapia ao tratamento melhora os sintomas e o funcionamento social entre esquizofrênicos. Além disso, a musicoterapia tem demonstrado eficácia como tratamento para reduzir a depressão, ansiedade e dor crônica.

É importante ressaltar que a educação musical também é associada ao desenvolvimento do cérebro em crianças, particularmente nas áreas do cérebro responsáveis ​​pelo processamento do som, no desenvolvimento da linguagem, percepção da fala e habilidades de leitura, de acordo com os resultados iniciais de um estudo de cinco anos por neurocientistas da University of Southern California (USC).

O Instituto do Cérebro e da Criatividade na USC começou este estudo de cinco anos em 2012, em parceria com a “Los Angeles Philharmonic Association‘‘ e do “Heart of Los Angeles’ (HOLA), para examinar o impacto do ensino da música nas crianças quanto ao seu desenvolvimento social, emocional e cognitivo.

Os resultados iniciais do estudo mostram que o ensino de música acelera a maturação da via auditiva no cérebro e aumenta a sua eficiência. O estudo, publicado recentemente na revista “Developmental Cognitive Neuroscience’’, fornecem evidências dos benefícios da educação musical, em um momento em que muitas escolas em todo os Estados Unidos e outros países têm reduzido ou eliminado programas de música e artes.

Para este estudo, os neurocientistas monitoraram o desenvolvimento do cérebro e do comportamento em um grupo de 37 crianças de bairros carentes de Los Angeles. Treze das crianças, aos 6 ou 7 anos de idade, começaram a receber instrução em música através do programa Orquestra Juvenil Los Angeles. O programa foi inspirado no método “El Sistema’’, de onde o maestro da Filarmônica de Los Angeles, Gustavo Dudamel, fazia parte quando criança na Venezuela.



Aprender a Tocar 

As crianças aprenderam a tocar instrumentos como violino em grupos, e estudavam por até sete horas por semana. Os pesquisadores compararam os jovens músicos com dois outros grupos: 11 crianças em um programa de futebol da comunidade, e 13 crianças que não estavam envolvidas em atividades fora da escola. Várias ferramentas foram usadas para monitorar as mudanças nas crianças: ressonância magnética para monitorar as mudanças através de varreduras do cérebro, exames para controlar a atividade elétrica no cérebro, testes comportamentais, e outras técnicas.

Em apenas dois anos de estudo, os neurocientistas descobriram que o sistema auditivo das crianças no programa de música foi amadurecendo mais rapidamente do que nas outras crianças. Esta maturação reflete um aumento na neuroplasticidade, uma alteração fisiológica no cérebro em resposta ao seu meio ambiente - neste caso, a exposição à música e ao ensino de música.

"O sistema auditivo é estimulado pela música", disse Habibi. "Este sistema também está envolvido no processamento de som em geral, fundamental para o desenvolvimento da linguagem, habilidades de leitura e boa comunicação."

Acredita-se que este ajuste das vias auditivas nas crianças poderia acelerar o desenvolvimento da linguagem e leitura, bem como outras habilidades - um efeito potencial que este grupo de neurocientistas continua a estudar.


A biologia da música 

"Inegavelmente, há uma biologia da música", de acordo com o neurobiólogo Mark Jude Tramo, da Harvard University Medical School. Ele vê como inquestionável que há uma especialização dentro do cérebro para o processamento de música. A música é uma parte biológica da vida, assim como uma parte estética.

Estudos já em 1990 descobriram que o cérebro responde à harmonia da música. Usando um scanner para monitorar mudanças na atividade neural, neurocientistas da Universidade McGill descobriram que a parte do cérebro ativada pela música depende se a música é agradável ou dissonante.

O cérebro cresce em resposta ao ensino musical da mesma forma que um músculo responde ao exercício. Pesquisadores da Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, descobriram que músicos do sexo masculino têm cérebros maiores do que homens que não tiveram formação musical. Os cerebelos, aquela parte do cérebro que contém 70% dos neurônios do cérebro, eram mais numerosos em músicos.

Os pesquisadores também descobriram evidências do poder da música na atividade neural no cérebro como um todo, desde regiões primitivas também encontradas em animais, até áreas que se pensa serem estritamente humanas, tais como os lobos frontais. Harmonia, melodia e ritmo invocam padrões distintos na atividade cerebral.


"Se as crianças não forem introduzidas à música desde muito pequenas, eu realmente acredito que um direito fundamental está sendo tirado delas." ~ Luciano Pavarotti

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