segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Um estudo positivo e eficiente

Por Linda High


Frequentemente, os pais se frustram enquanto tentam supervisionar a prática de seus filhos. Ao prover a nossos filhos a oportunidade de estudar música, mantemos a esperança de brindar-lhes uma vida de entretenimento e apreciação desta arte. Entretanto, se o momento de estudar se converte em um momento de terror e de luta tanto para os pais como para as crianças, estes desenvolverão sentimentos negativos pela música. Esta situação poderia, não somente destruir o amor pela música nas crianças, mas também a relação entre pais e filhos.


Necessitamos considerar cuidadosamente a criação de uma prática positiva e eficiente. É importante que as crianças estudem. A prática é necessária para a aprendizagem das destrezas e técnicas que fazem da execução musical uma experiência muito gratificante. Entretanto, temos que estabelecer metas realistas e as expectativas dos pais devem ser compatíveis com essas metas. Por exemplo, não podemos exigir que crianças que demonstram períodos curtos de atenção pratiquem por um tempo muito longo. Para os pais que trabalham em tempo integral, pode lhes parecer difícil dedicar 30 minutos de cada noite para praticar com seus filhos. Entretanto, é importante praticar todos os dias. Uma prática diária de duração curta é melhor que um período longo uma ou duas vezes por semana.

É importante estabelecer uma hora específica na qual a prática seja factível. Se a mãe e a crianças são ambas pessoas matutinas, é possível que um período regular de prática imediatamente depois do café da manhã seja o mais adequado. Se não for esse o caso, talvez poderiam escolher um tempo imediatamente depois de a criança chegar da escola ou depois da janta. A consistência é o segredo! Deve ser no mesmo horário todos os dias. Podemos evitar muitos conflitos se o momento de estudo se converte em parte da rotina diária. Se os pais deixarem que seus filhos não estudem diariamente, será muito difícil voltar a estabelecer essa rotina.


O importante não é quanto tempo os alunos estudam. O importante é terminar a tarefa designada. Talvez a tarefa seja tocar no piano a parte da mão direita de uma peça cinco vezes sem se atrapalhar, ou tocar a linha superior da segunda página três vezes de memória sem cometer nenhum erro. Devemos evitar o costume de olhar o relógio. A meta é completar uma tarefa realista, dada anteriormente, e não devemos permitir que a criança continue à próxima atividade até que não termine a primeira. É importante mencionar que, às vezes, as crianças podem se confundir, se frustrar e se incomodar com uma tarefa em particular. Neste caso, o melhor seria parar, seguir com a próxima tarefa e voltar outro dia na tarefa que foi frustrante.

As crianças necessitam aprender a corrigir e aperfeiçoar passagens difíceis. Isso se pode fazer isolando a seção difícil, separando-a em partes, corrigindo essas partes e então tocando-as continuamente até poder executá-las confortavelmente. Frequentemente, quando as crianças se encontram com uma passagem difícil em uma peça musical, elas param e voltam para o início, apenas para chegar até a mesma passagem e experimentar o mesmo problema sem haver podido corrigi-la. Isso pode ser muito frustrante para uma criança e não é a melhor maneira de aproveitar o tempo valioso de estudo. Por isso, é necessário que os pais e professores insistam com as crianças que parem, separem em pequenas seções e corrijam as seções mais difíceis antes de continuar com a música ou voltar para o início da peça.

O reforço, o reconhecimento e o elogio são importantes e necessários para motivar as crianças. Utilizar o reforço positivo para corrigir as tarefas incorretas e premiar as corretas é uma valiosa ferramenta de aprendizagem. Da mesma forma, reconhecer o esforço e as conquistas e elogiar um trabalho bem feito são motivadores de valor incalculável. Sim, devemos evitar a bajulação, pois esta desvaloriza as verdadeiras e grandes conquistas. Entretanto, a aceitação e o reconhecimento de que houve uma boa intenção e um trabalho árduo, sim são importantes.

As crianças necessitam aprender que as atividades prazeirosas de ter melhorado e de tocar bem são sua própria recompensa.  A maestria de uma peça musical, a beleza e o prazer do som, e o esforço em si são recompensas suficientes. Nunca devemos reforçar a prática com um doce ou outro tipo de recompensa. Se os pais pensam que alguma motivação exterior é necessária, poderia utilizar uma tabela para ressaltar ou reconhecer suas conquistas. Receber uma estrelinha em uma tabela depois de haver praticado a tarefa dez vezes sem errar poderia ser considerado como um reconhecimento de haver completado a tarefa, em vez de vê-la como uma recompensa.


O tempo de estudo pode ser um momento de máximo entrosamento entre pai e filho. Entretanto se, depois de implementar as sugestões anteriores, a prática segue sendo frustrante, os pais devem considerar dedicar não mais que 10 ou 15 minutos de cada prática para supervisionar seus filhos, assegurar a ênfase no que é correto e reforçar a aprendizagem, especialmente de material novo. Poderiam, então, deixar que as crianças pratiquem por conta própria até completar as tarefas designadas. As crianças pequenas, menores de 6 anos, obviamente necessitam muita supervisão, mas enquanto vão crescendo, se sentem mais competentes e independentes. Nossa meta é, acima de tudo, desenvolver autonomia em nossas crianças e capacitá-los para que experimentem a alegria e a beleza da música por si próprios. Devemos ensinar as crianças a que dediquem suficientemente tempo de seu estudo para alcançar este fim. A prática é necessária para o progresso, entretanto, de nada adianta longos períodos de prática se nossas crianças aprenderem a detestar a música no processo.


Linda High é professora assistente de música da East Carolina University, onde ensina iniciação musical e dá aulas particulares de piano. De American Suzuki Journal, Vol. 20

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