segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Como tomar notas durante as aulas: dicas práticas

Por Heidi Ehle

Continuidade é parte crucial para o aprendizado de um instrumento, e o que promove uma conexão entre as aulas e o estudo são suas preciosas anotações!  Tendo sido uma mãe Suzuki, eu sei que em um dia cheio às vezes sentamos na cadeira na aula e pensamos, “Ah, 30 minutos de descanso.” E então você se dispersa e, quando se dá conta, a aula acabou. Você olha para suas anotações e vê “revisar Allegro”... hmmm, não muito pra fazer. Você ouve seu professor elogiar seu filho pela aula mas você não tem muita certeza do que aconteceu.


Neste momento, talvez, você pergunte ao professor, “O que devemos praticar essa semana?”. Isso provavelmente incomodará o professor que pensará, “Ok, será que vou ter que repassar a aula inteira de forma acelerada?”, mas pelo menos ele está feliz que você ao menos perguntou. Ou então, você não pergunta e tenta praticar assim mesmo.

Dicas Práticas

Enquanto talvez você precise tirar dúvidas no final da aula, o professor espera que você entenda os pontos principais durante a aula. Aqui vão algumas dicas:

  • Veja se há uma temática, especialmente com crianças pequenas. Há o que professores Suzuki chamam de “um ponto”. Se você ouvir o mesmo aspecto várias vezes, circule-o no topo de suas anotações (por exemplo: posição do polegar, notas agudas, onde está o seu pé, notas Ré corretas).
  •  Em peças de revisão, qual é o foco do professor? Às vezes é apenas um aquecimento, mas muitas vezes há um objetivo específico. Crianças não gostam de repetições sem sentido. Ache o ponto de estudo na revisão (por exemplo, lindas notas Mi, respiração, dedilhado de Ré para Dó, ar usado nas notas agudas, etc).

  •  Escreva como fazer as coisas. “Dois últimos compassos do Minueto I”não é o suficiente. Como o professor trabalhou isso? Você conseguiu seguir o processo de forma a conseguir repeti-lo em casa? (por exemplo, toque este pequeno grupo de notas 5 vezes sem ligaduras, então acrescente as ligaduras, acelere, então conecte com a próxima seção pela nota Lá, cuidado com o dó #).
  • Com escalas e arpejos, tente perceber como eles são trabalhados (por exemplo, padrões de ligaduras, velocidade, posição ou som). Apenas escrever “Escala de Fá Maior” geralmente não é o suficiente.
  • Se você não conseguir saber onde estamos na partitura, faça uma cópia para você. Mesmo que você não saiba ler música, você verá que isso pode fazer uma grande diferença.
  • Procure palavras-chave. Seu professor está constantemente consciente de sua presença e do quão presente mentalmente você está. Cada vez que ouvir a palavra “estude”, levante a cabeça! Ouça, também, palavras descritivas: “leve seu som até o céu, staccato como um martelo, bolas pulando na praia”. Tente usar essas palavras durante o estudo. Ouça também frases de localização: “no último compasso dessa linha, onde começa em Si bemol, onde diz crescendo”. Estas dicas de localização na música são geralmente para o seu próprio benefício pois o professor e o aluno já sabem onde eles estão trabalhando.
  • Observe e admire seu filho. Valorize a chance de fazer isso. Observe a linguagem do corpo, como seu filho aprende, que sentimentos demonstra. É muito interessante e talvez assim você encontre pontos a conversar depois ou talvez você apenas valorize essas memórias daqui há 10 anos.   Entretanto, guarde suas reações, especialmente as negativas, para você mesmo durante a aula. 

  • Necessita de um tempinho de pausa? Ok, há momentos que você pode. Como, por exemplo, quando o professor segue um exercício técnico por um longo tempo e você já entendeu o que está acontecendo. Mas, ouça palavras-chave que tragam sua atenção de volta.
  • Ajude o professor: coloque todo o material a ser usado na estante antes de começar a aula. Pergunte esclarecimentos sobre tarefas a praticar no final da aula. Tente não fazer barulho com jornais, celular, mexer na bolsa, etc. É fácil esquecer que o ouvido captura todos os sons - e nós estamos ouvindo.  Traga problemas com estudo ou horários no início da aula. Começar essas conversas importantes e que demandam tempo pode acabar com a intenção do professor de ser pontual. Mantenha o professor informado de possíveis eventos que possam afetar a criança de modo significativo (mudanças, doenças, divórcio, problemas na escola, etc). Essas coisas tem um impacto que o professor percebe e que gostaria de responder apropriadamente. Muitas explicações não são necessárias, mas alguma palavra ajuda o professor a direcionar a situação de forma sensível e efetiva.
  • Como o professor pode lhe ajudar? Nós precisamos saber... Nos diga como fazer com que o seu papel seja um pouco mais fácil.


Heidi Ehle é professora de flauta transversa Suzuki em Seattle, Washington, desde 1983 – como diretora do departamento de flauta do Instituto Suzuki de Seattle até 1996 e, atualmente, em sua casa com o Estúdio de Flauta Mister Baker.

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